“A conversão pastoral coloca como ponto fundamental na vida de todos os seus seguidores, a solidariedade. O Sínodo lança a mensagem para que todos sejamos solidários”, escreve Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá, Pará.

Eis o artigo.

Um dos pontos nos quais ressaltamos no Sínodo foi a conversão pastoral que tem como ponto fundamental uma igreja em saída, exigindo atitudes novas à pastoral. A Amazônia pede de seus pastores e povo de Deus que se navegue em rios, lagos, comunidades do campo e periferias da cidade para podermos evangelizar e ser evangelizado.

Sabemos que a Igreja é por natureza missionária, não se tratando de uma missão optativa, mas vivencia da missão, na qual o Senhor Jesus veio ao mundo para nos trazer a salvação e hoje envia a todos nós para a missão. Impulsionada pelo Espírito Santo e seguindo as pegadas de Jesus Cristo, evangeliza os pobres, vai ao encontro de todas as pessoas, sem discriminação de raça ou cor, mas proclamando as maravilhas de Jesus Cristo e de seu Reino. Como o Papa Francisco ressalta em suas manifestações que a nossa missão no mundo não poderá ser estática, mas que é sempre itinerante, de saída, de busca do próximo, do outro, para fazer parte da vida da comunidade e do Senhor Jesus Cristo. A Igreja por sua natureza está em movimento, não fica sedentária no seu recinto. Está aberta aos horizontes mais amplos, para levar o evangelho nos caminhos da vida, de muitas pessoas necessitadas da palavra de Deus e da eucaristia. Se o pentecostalismo está crescendo, sobretudo nas periferias das cidades, é pelo fato que as vezes nós não marcamos presença suficiente para que assim o povo possa participar da vida da comunidade e prosseguir o caminho de fé, de esperança e de caridade.

Esta igreja que tem um caminho de conversão pastoral diz respeito também a ser samaritana, no sentido de buscar os feridos na vida, os doentes, os necessitados de saúde corporal e espiritual. Quantos jovens estão nas drogas, no alcoolismo, na vida de assaltos, ou mesmo estão nas prisões. Temos o trabalho pelas fazendas da esperança. Quantas pessoas estão na exploração sexual infantil e de adolescentes. É preciso fazer algo para o bem da humanidade e da gloria de Deus. É preciso que a Igreja seja samaritana, marcando presença junto às pessoas mais necessitadas de vida digna que nos vem do evangelho de Jesus Cristo. Esta Igreja é chamada a ser misericordiosa, seguindo os apelos do Senhor que viu a multidão como sem pastor e sentiu compaixão, teve misericórdia (Mt 9,35-36). De fato pelo exemplo de Cristo Jesus saímos da região de conforto para sermos misericordiosos, para ver o que é possível fazer diante de pessoas que sofrem mais que a gente, que não podemos ficar na acomodação das coisas, para trazer a todos alegria e amor.

A conversão pastoral coloca como ponto fundamental na vida de todos os seus seguidores, a solidariedade. O Sínodo lança a mensagem para que todos sejamos solidários. Os pobres e os necessitados por uma vida digna são muitos de modo que é preciso a solidariedade. Muitos jovens não tem emprego, estudo, vida para ir para frente. A Igreja conclama às autoridades para que olhem o povo sofredor e assim busque-se formas de emprego, de vida. Esta conversão pastoral diz respeito também ao diálogo ecumênico, com outras igrejas para um trabalho ecumênico, na tentativa de caminhar juntos para o engrandecimento do Reino de Deus, sobretudo nas questões ecológicas, com os povos originários, os povos ribeirinhos, os povos da cidade e do campo. A conversão pastoral será dada também no diálogo inter religiosos na Amazônia, nas diversas instancias como o teológico, nas relações interpessoais, serviço e a colaboração para o bem comum, a alegria, a oração e a festa. A centralidade da Palavra de Deus e a eucaristia devem nos unir nesta caminhada dos diálogos para que assim se difunda sempre o amor de Deus em nossa realidade. Este dialogo é motivado pelo Espírito Santo para que todos sejam um assim como nos fala o Senhor Jesus Cristo na prece sacerdotal (Jo 17,21).

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